O Céu Ainda Estava Azul
13 hours and 47 minutes ago
O elevador subia com um rangido metálico que ecoava pelo poço de concreto como o lamento de uma besta ferida. Katherine sentia cada solavanco, cada hesitação do mecanismo antigo, cada vibração que percorria a plataforma de metal e subia por suas pernas até a espinha. Suas mãos agarravam a grade baixa, os nós dos dedos brancos de força. O Pip-Boy em seu pulso esquerdo emitia um bipe rítmico, monitorando sua frequência cardíaca — acelerada, perigosamente acelerada, mas ela não se importava.
O ponto de luz lá em cima crescia lentamente. Primeiro foi um pino, depois um círculo, depois uma abertura que se alargava a cada segundo, como uma pupila se dilatando diante da escuridão. A luz era intensa — muito mais intensa do que a penumbra vermelha do Refúgio — e Katherine teve que semicerar os olhos, erguendo a mão livre para protegê-los.
O elevador desacelerou com um gemido final, e então — com um solavanco que a fez tropeçar — parou.
Katherine estava na superfície.
O clarão a cegou por um instante inteiro. Não foi uma cegueira gradual, mas um branco total, absoluto, como se o mundo tivesse sido apagado e alguém tivesse esquecido de desenhar outro. Ela piscou repetidamente, as lágrimas escorrendo pelas bochechas — não de emoção, mas da reação natural dos olhos à luz do sol após duzentos anos de escuridão. Suas mãos buscaram as grades do elevador, segurando-se com força enquanto sua visão voltava lentamente, mancha por mancha, cor por cor.
O céu.
Foi a primeira coisa que ela reconheceu. Azul. Um azul vibrante, profundo, quase irreal — o azul que ela lembrava dos dias de outono em Sanctuary Hills, o azul que pintava as telas dos filmes antigos sobre o Velho Mundo. Não havia nuvens. Apenas uma abóbada infinita de azul, tão pura que doía de tão bela.
Katherine ficou olhando para o céu por um longo tempo, incapaz de desviar o olhar. Ela esperara encontrar uma cobertura cinzenta de nuvens radioativas. Esperara um céu opaco, doentio, tingido de verde ou amarelo pelas explosões que testemunhara. Esperara o inferno.
Em vez disso, encontrou o azul.
— Como é possível? — sussurrou ela, a voz falhando.
Aos poucos, seus olhos se acostumaram à luz, e o resto da paisagem emergiu do borrão branco como um negativo fotográfico se revelando em câmara escura.
O chão ao redor do elevador era uma vasta extensão de terra estéril, rachada, coberta por uma poeira fina e acinzentada que lembrava cinzas. Não grama, não flores, não arbustos — apenas o solo nú, como a pele de um animal doente. Pequenos montículos de entulho pontuavam a paisagem: restos de concreto, vergalhões retorcidos, pedaços de metal oxidado que um dia foram parte de algo maior. O vento — um vento frio, cortante, que cheirava a ozônio e decadência — varria a superfície em rajadas irregulares, levantando redemoinhos de poeira que dançavam como pequenos fantasmas.
Katherine deu um passo fora da plataforma do elevador. Suas botas afundaram na terra solta, produzindo um ruído seco e macio ao mesmo tempo. O silêncio era ensurdecedor — não o silêncio do Refúgio, preenchido pelo zumbido dos geradores e das luzes de emergência, mas um silêncio verdadeiro. Um silêncio de mundo vazio. Sem pássaros, sem insetos, sem o ruído distante de carros ou máquinas. Apenas o vento e o rangido ocasional do elevador atrás dela, como se a própria máquina estivesse ofegante após o esforço.
E então ela viu.
Ao longe, no topo de uma colina suave que ela conhecia tão bem, as silhuetas familiares das casas de Sanctuary Hills recortavam-se contra o céu azul. As Houses of Tomorrow, com suas paredes brancas e telhados inclinados, ainda estavam de pé — mas não como ela as lembrava. As cores haviam sumido. O branco era agora um cinza pálido, manchado por anos de tempestades de poeira. As janelas estavam quebradas na maioria das casas, buracos negros que pareciam órbitas vazias. Alguns telhados haviam desabado, outros estavam cobertos por uma camada espessa de sujeira e detritos.
A cerca branca — aquela cerca que Nate pintara no primeiro verão em que se mudaram, rindo enquanto respingava tinta em sua camiseta — não existia mais. Restavam apenas alguns mourões de madeira apodrecida, inclinados como dentes cariados, e aqui e ali um pedaço de arame farpado retorcido.
A rua asfaltada que serpenteava pelo bairro agora era uma faixa de terra batida e cascalho, sulcada por erosão e coberta por uma crosta de poeira endurecida. Alguns carros ainda estavam estacionados onde foram deixados — carcaças enferrujadas com pneus murchos e para-brisas estilhaçados. O caminhão de lixo da prefeitura, aquele verde-escuro que passava todas as quintas-feiras, estava tombado de lado no cruzamento com a Spruce Lane, sua lataria corroída pelo tempo e pelos elementos.
Katherine caminhou alguns passos, a terra estalando sob suas botas. Seus olhos percorriam a paisagem faminta, buscando pontos de referência, âncoras de memória em um mar de ruínas.
Ali — aquela árvore, ou o que restava dela. O grande carvalho no centro da praça, onde as crianças brincavam e os vizinhos se reuniam nos dias quentes de verão. Agora era um esqueleto carbonizado, seus galhos negros estendendo-se para o céu como dedos de um suplicante, sem uma única folha, sem qualquer sinal de vida. Seu tronco estava rachado ao meio, como se um raio — ou algo pior — o houvesse partido.
Katherine levou a mão à boca. Não para conter um grito — não havia grito dentro dela — mas para sentir algo sólido, algo real, algo que não fosse aquela paisagem de desolação.
O ar cheirava a poeira, a metal, a algo queimado há muito tempo. Mas não cheirava a radiação — ou talvez cheirasse, e ela simplesmente não soubesse reconhecer. O Pip-Boy em seu pulso emitiu um bipe agudo, e ela olhou para a tela.
"Níveis de radiação: dentro dos parâmetros de segurança. Exposição prolongada pode causar danos à saúde."
— Dentro dos parâmetros — repetiu Katherine, amarga. — Que parâmetros? Os parâmetros de quem? Da Vault-Tec?
Ela riu — um riso seco, quebrado, sem humor.
O vento soprou mais forte, trazendo consigo um som que Katherine não ouvia desde antes da guerra: o grilo. Não, não era um grilo — era o rangido de um letreiro de metal balançando ao vento, preso por um único parafuso a uma estrutura que já não existia. O som era triste, monótono, uma nota única repetida infinitamente.
Sanctuary Hills. Seu lar. O lugar onde Shaun nasceu. O lugar onde Codsworth preparava café e conversava sobre a Décima Emenda. O lugar onde Nate a abraçara na cozinha naquela tarde de outubro, prometendo que tudo ficaria bem.
Agora era um cemitério. Um monumento em ruínas para um mundo que não existia mais.
Katherine apertou a aliança em seu dedo, sentindo o metal frio contra a pele quente.
— Eu estou aqui — disse ela, em voz alta, para ninguém, para o vento, para o céu azul indiferente. — Eu estou aqui, Nate. Eu cheguei.
Ela olhou para a casa 221 da Spruce Lane — ou para o que restava dela. A fachada ainda estava de pé, mas o telhado havia desabado em um dos lados, e a porta da frente — aquela porta que ela abrira para Albert Hammonds — estava arrancada das dobradiças, jogada de lado no gramado morto. As cortinas de renda que ela mesma pendurara haviam desaparecido, e através das janelas vazias, Katherine podia ver o interior escuro, saqueado, consumido pelo tempo.
Não havia sinais de Codsworth. É claro que não. Duzentos anos. Robôs também não duram para sempre.
Katherine ficou ali por um longo tempo, olhando para a paisagem devastada, para o céu azul que não parecia pertencer àquele cenário de ruínas, para as colinas ao longe que um dia foram verdes e agora eram marrons e cinzentas.
Ela estava sozinha. Pela primeira vez em sua vida, verdadeiramente sozinha. Nate estava morto. Shaun estava perdido. Seus pais, seus amigos, seus vizinhos — todos, provavelmente, transformados em poeira ou em algo pior. Apenas ela restava, com um uniforme da Vault-Tec manchado de sangue de barata, uma pistola 10 mm no bolso, um cassetete enferrujado no cinto, e um Pip-Boy preso ao pulso.
A única coisa que ela ainda possuía, além das lembranças, era uma aliança de ouro branco e uma promessa.
— Eu vou encontrar você, Shaun — repetiu ela, as palavras se perdendo no vento. — Eu não sei como. Não sei onde. Mas eu vou.
O céu continuava azul. O vento continuava soprando. O letreiro de metal continuava rangendo.
Katherine deu um passo em direção a Sanctuary Hills. Depois outro. Depois outro.