Fallout 4 - Katherine

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G
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planned Mini, written 85 pages, 36,170 words, 15 chapters
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Rastros Perdidos

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A Spruce Lane se estendia diante deles como uma cicatriz aberta na paisagem devastada. Katherine caminhava ao lado de Codsworth, que flutuava a uma altura constante de meio metro do chão, seus três braços mecânicos balançando suavemente em um ritmo quase hipnótico. O sol da tarde — ou seria manhã? Katherine já não sabia mais — projetava sombras compridas e distorcidas sobre o solo rachado, fazendo com que cada ruína, cada árvore morta, cada carcaça de veículo parecesse um monstro adormecido. O robô guiava-a pelos caminhos que um dia conhecera tão bem, mas que agora se revelavam estranhos e hostis. Em vez das cercas brancas e jardins bem cuidados, havia monturos de entulho, buracos que se abriam como bocas escuras no chão, e aqui e ali, manchas esverdeadas de algo que Katherine não queria examinar de perto. — Por aqui, minha senhora — disse Codsworth, apontando com uma de suas presas para um beco entre duas casas desabadas. — A família Henderson costumava guardar um barracão nos fundos. Se o pequeno Shaun estivesse por perto, talvez tivesse procurado abrigo ali. Katherine seguiu o robô, a mão pousada no bolso onde guardava a pistola. O beco era estreito, ladeado por paredes de concreto rachadas cobertas de musgo seco. O chão estava coberto de cacos de vidro e lascas de madeira, que estalavam sob suas botas como pequenos ossos. O barracão ainda estava de pé — mal e porcamente. A porta de madeira estava entreaberta, balançando suavemente ao vento. Katherine empurrou-a com a ponta da bota e entrou. Dentro, o cheiro era de mofo, terra úmida e algo mais — um odor doce e nauseabundo que ela não reconheceu imediatamente. A luz que entrava pelas frestas das tábuas revelava um espaço pequeno, talvez três metros por três, com prateleiras vazias e uma mesa coberta de poeira. Nada. Apenas teias de aranha — teias grossas, antigas — e no canto, uma pilha de latas enferrujadas que um dia foram comida. — Nada — murmurou Katherine, sentindo o desapontamento pesar em seus ombros. — Não desanime, minha senhora — disse Codsworth, flutuando ao seu lado. — Ainda temos toda a vizinhança para vasculhar. A casa dos MacCready, a dos Parkers, a da Sra. Abernathy... Saíram do barracão e continuaram a busca. A casa dos MacCready estava em ruínas ainda piores que a própria. O telhado desabara completamente, e o interior estava exposto aos elementos como um teatro ao ar livre. Katherine vasculhou entre os escombros com cuidado, erguendo tábuas e removendo pedaços de gesso, mas encontrou apenas os pertences abandonados de uma família que não voltaria — um brinquedo de pelúcia carbonizado, uma panela amassada, um relógio de parede cujos ponteiros haviam parado para sempre às 15:47. — Nada — repetiu ela, mais baixo desta vez. A casa dos Parkers foi ainda pior. Não restava praticamente nada além da fundação de concreto e alguns mourões de madeira queimada. O que um dia foi o quintal agora era uma cratera rasa, como se algo tivesse caído do céu e explodido bem ali. Katherine caminhou ao redor da cratera, sentindo o cheiro de terra queimada ainda pairando no ar, duzentos anos depois. — Aqui não — disse Codsworth, com uma nota de frustração em sua voz metálica. Foi então que ouviram o zumbido. Katherine parou, a mão na pistola. O som era diferente do zumbido constante dos motores de Codsworth — era mais agudo, mais irregular, e vinha de cima. Ela ergueu os olhos. Voavam. Eram como moscas, mas moscas do tamanho de cães pequenos. Seus corpos eram inchados, de um verde-azulado doentio, cobertos por uma penugem rala que brilhava sob a luz do sol. Asas translúcidas batiam em uma frequência tão alta que se tornavam um borrão, produzindo aquele zumbido que fazia os dentes de Katherine doerem. Seus olhos eram vermelhos, múltiplos, dispostos em duas massas protuberantes em cada lado da cabeça. E suas bocas — suas bocas eram a pior parte. Trombas longas e segmentadas, como agulhas hipodérmicas naturais, que se retraíam e se estendiam em um movimento peristáltico. — Varejeiras — disse Codsworth, como se estivesse nomeando uma espécie de flor. — Bloatflies, como os locais as chamam. Criaturas notavelmente resilientes. Alimentam-se de matéria em decomposição, mas não têm escrúpulos em atacar seres vivos se estiverem com fome. — Varejeiras? — Katherine recuou um passo, a mão agora firmemente agarrada à pistola. — Isso é uma varejeira? Uma mosca varejeira gigante? — Infelizmente, sim. — Codsworth moveu-se para frente, interpondo-se entre Katherine e as criaturas. — E esta é apenas uma das muitas... peculiaridades... que a radicação trouxe ao mundo. Criaturas como essa, minha senhora, constituem a realidade do mundo atual. O Velho Mundo se foi. Agora vivemos na era dos monstros. Uma das varejeiras mergulhou em direção a eles. Katherine sacou a pistola e disparou. O tiro foi mais controlado desta vez — ela já estava começando a se acostumar com o recuo. A bala acertou a varejeira no abdômen, e a criatura explodiu em uma nuvem de líquido amarelo-esverdeado e pedaços de exoesqueleto. O fedor era indescritível — uma mistura de carne podre, produtos químicos e algo doce que grudava na garganta. — Bom tiro, minha senhora — elogiou Codsworth, enquanto as outras duas varejeiras recuavam, reagrupando-se para um novo ataque. — Permita-me ajudar. O robô disparou seu bico de Bunsen — a chama azul jorrou com um chiado, crepitando no ar. Uma das varejeiras foi atingida em cheio, suas asas pegando fogo instantaneamente. Ela caiu no chão, se contorcendo, emitindo um chiado agudo que ecoou pelas ruínas. A última varejeira hesitou, pairando no ar por um momento. Seus olhos vermelhos pareciam fixos em Katherine, calculando, avaliando. Ela mirou novamente e disparou. A bala passou raspando — errou por centímetros — mas o susto foi suficiente. A criatura se virou e voou para longe, desaparecendo atrás das copas das árvores mortas. — Isso deve afastá-las por enquanto — disse Codsworth, desligando a chama. — Mas elas sempre voltam. Como as baratas, mas com asas. E mais nojentas. Se possível. Katherine guardou a pistola, a mão ainda tremendo ligeiramente. — Eu nunca imaginei — murmurou ela, olhando para o corpo carbonizado da varejeira. — Nem nos meus piores pesadelos. — A senhora aprende rápido — disse Codsworth, com um tom que ela interpretou como encorajamento. — O que é bom. Porque há muitos pesadelos por aí. Continuaram a busca. Visitaram cada casa, cada beco, cada quintal. Vasculharam os escombros da igreja, a praça central, o pequeno parquinho onde as mães costumavam sentar-se em bancos de madeira enquanto seus filhos brincavam. Katherine chamou por Shaun em voz alta, várias vezes, até que sua garganta ficou arranhada e sua voz se transformou em um sussurro rouco. — Shaun! Shaun, sou eu, mamãe! Shaun! Apenas o eco de suas próprias palavras respondia, distorcidas pelas paredes vazias e pelo vento. No final da tarde — ou do que quer que fosse aquela luz que começava a se tornar alaranjada — Katherine sentou-se em um bloco de concreto que um dia foi parte da fundação de sua própria casa. A poeira cobriu seu uniforme, seus cabelos loiros grudavam em seu rosto suado, e seus olhos azuis estavam vermelhos de cansaço e lágrimas contidas. Codsworth flutuou ao seu lado, seus braços pendendo em um gesto de derrota. — Minha senhora — disse ele, a voz tão baixa que quase foi engolida pelo vento. — Pelo visto, Shaun não está aqui também. Katherine não respondeu de imediato. Ficou olhando para o horizonte, onde o sol poente pintava as nuvens em tons de laranja e púrpura — uma beleza trágica, pensou ela, como um sorriso em um rosto moribundo. — Obrigada, Codsworth — disse finalmente, a voz rouca. — Obrigada por ter tentado. Por ter procurado. Por ter... por ter esperado todo esse tempo. O robô pareceu encolher-se, como se a gratidão lhe fosse desconfortável. — Não há de quê, minha senhora. Era meu dever. — Ele hesitou. — Ainda é. Katherine olhou para ele, e pela primeira vez desde que deixara o Refúgio, um sorriso — trêmulo, frágil, mas genuíno — curvou seus lábios. — Você é um bom amigo, Codsworth. — E a senhora é uma boa pessoa, minha senhora. Pessoas boas merecem coisas boas. E a senhora merece encontrar seu filho. — Codsworth flutuou mais perto, seu olho ocular brilhando em um azul intenso. — Por isso, a senhora não pode desistir. Não agora. Não nunca. Katherine suspirou, passando a mão pelo rosto. — O que mais podemos fazer? Nós vasculhamos tudo. Sanctuary Hills está vazia. — Sanctuary Hills, sim — concordou Codsworth. — Mas o mundo não se resume a este subúrbio, minha senhora. Há outros lugares. Outras pessoas. Katherine ergueu a cabeça, uma centelha de esperança acendendo em seu peito. — Outras pessoas? Ainda há gente viva? — Sim. Embora, devo advertir, sejam um tanto... rústicas. — Codsworth inclinou o corpo, como se contasse um segredo. — Os sobreviventes de Concord, por exemplo. Eles me atiraram algumas vezes. — Atiraram em você? — Katherine franziu a testa. — Apenas algumas vezes. E com armas bem imprecisas, devo acrescentar. Nada que minha carcaça não pudesse suportar. — Ele emitiu um ruído que poderia ser uma risada metálica. — Acredito que me confundiram com um inimigo. Ou talvez estivessem apenas entediados. Difícil dizer. Katherine levantou-se, a poeira escorrendo de seu uniforme. — Concord. Fica perto daqui, não é? — A poucos quilômetros, minha senhora. Basta seguir a passarela sul fora da vizinhança, depois da estação Red Rocket. A senhora não tem como errar. A estação é... proeminente. — E você? — perguntou Katherine, olhando para o robô. — Você vem comigo? Codsworth flutuou para trás, seus braços se agitando. — Infelizmente, minha senhora, não posso. Alguém precisa ficar para proteger a casa. Katherine olhou para os destroços ao redor — o que restava de sua casa, de sua vida, de seu mundo. — Codsworth, não há mais casa para proteger. O robô ficou em silêncio por um momento. Seu olho ocular mudou de azul para um âmbar profundo, e ele pareceu hesitar, como se estivesse processando uma verdade dolorosa. — Talvez não haja, minha senhora — disse finalmente, a voz mais suave do que Katherine jamais ouvira. — Mas há a memória da casa. E enquanto eu estiver aqui, essa memória não se apagará. Alguém precisa lembrar. Alguém precisa... esperar. Katherine sentiu os olhos marejarem novamente. Ela se aproximou do robô e, com um gesto impulsivo, envolveu seus braços em torno da carcaça metálica fria. Não era um abraço confortável — o metal era duro e áspero, e o cheiro de ferrugem e óleo queimado preenchia suas narinas. Mas era um abraço. — Muito bem — disse ela, afastando-se. — Fique. Espere. Mas se eu descobrir alguma coisa... — A senhora saberá onde me encontrar. — Codsworth flutuou em um pequeno círculo, como se fizesse uma reverência. — Eu estarei aqui. Como sempre estive. Katherine apertou a aliança em seu dedo, sentiu o peso da pistola em seu bolso, a tela do Pip-Boy piscando contra seu pulso. — Concord — disse ela, como se estivesse gravando o nome em sua mente. — Passarela sul. Estação Red Rocket. — Isso mesmo, minha senhora. — Codsworth apontou com um braço para a direção sul, onde as ruínas de Sanctuary Hills davam lugar a uma estrada deserta que serpenteava em direção a colinas distantes. — E que a sorte esteja com a senhora. Embora, pessoalmente, eu prefira contar com a habilidade e a determinação. A senhora tem ambas de sobra. Katherine sorriu — um sorriso pequeno, cansado, mas real. — Obrigada, Codsworth. Por tudo. — Não há de quê, minha senhora. — O robô flutuou um pouco mais alto, seu olho ocular brilhando intensamente. — Agora vá. Encontre o pequeno Shaun. E quando o fizer... — Eu sei — disse Katherine, virando-se para encarar a estrada que se estendia diante dela. — Eu trarei ele para casa. Ela deu um passo à frente. Depois outro. O vento soprou, levantando redemoinhos de poeira ao seu redor, e as ruínas de Sanctuary Hills ficaram para trás, com seu guardião metálico silencioso flutuando entre os escombros. Katherine caminhou em direção a Concord.
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