The Maid

Slash
NC-17
In progress
1
Pairing and characters:
Size:
planned Mini, written 7 pages, 3,252 words, 1 chapter
Description:
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𝐈

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      O som era o que vinha primeiro. Um gotejar lento e constante, ecoando na escuridão absoluta como um metrônomo em uma câmara de tortura. Cada pingue era frio e claro, de tempo medida não em segundos, mas em agonia.       Hoseok estava correndo, seus pulmões queimavam, um fogo ácido que se espalhava por seu peito. Seus pés batiam contra o asfalto molhado de um beco que ele não conhecia, mas que era estranhamente familiar. A névoa da noite grudava em sua pele como um suor gelado, e o cheiro no ar era um mistura doce e nauseante de lixo e ferro, o cheiro de sangue.       Ele não sabia o que estava fugindo, apenas sabia que Minoru estava lá. O nome sussurrado em noticiários de tom grave, o fantasma que assombrava a cidade, o responsável pelo fio de terror que enforcava o coração de cada cidadão. Ninguém sabia seu rosto, apenas suas marcas: uma faca, uma eficiência brutal e um gosto aparente por caos. — Não é um serial killer, é um carniceiro — o repórter na TV dissera, sua voz um sussurro grave na mente do ruivo.       Ele tropeçou, suas mãos raspando no asfalto áspero. O gotejar parou, o silêncio que se seguiu foi cem vezes mais aterrorizante. Ele se levantou, ofegante, e viu, no final do beco, uma silhueta. Não era alta, era compacta, quase delicada. Mas a aura que emanava era de algo primordial e mortal. A escuridão ao seu redor parecia se curvar, respeitosa.       Hoseok não conseguia se mover. Seus pés estavam enraizados no chão, sua voz era um nó de pânico em sua garganta. A silhueta deu um passo à frente, e um raio de lua pálida que atravessava a névoa iluminou brevemente sua mão. Segurando algo longo e fino, uma faca, o aço refletiu a luz com um brilho obsceno.       O Jung podia quase sentir o cheiro dele agora. Não era o cheiro de um monstro, era limpo. Como amêndoas amargas e sabão caro. Era isso que mais aterrorizava, a normalidade assassina. — Por favor… — a voz de Hoseok finalmente estourou, um gemido quebrado. — Por favor, não!       A silhueta parou a apenas um braço de distância. Jung forçou os olhos para cima, tentando discernir um rosto nas sombras. E ele viu dois pontos de luz, estreitos, brilhando com uma inteligência fria. Eles não expressavam ódio, nem raiva, expressavam… Nada, um vazio absoluto.       Então, a figura falou. A voz era aveludada, um sussurro sedoso que se enrolou em seu cérebro como um veneno. — Você já estava morto quando me viu — disse, a voz era quase uma cantiga.       A faca se moveu, um arco prateado e elegante no ar úmido e o ruivo acionou com um suspiro estridente.       Seu corpo se contorcendo na cama como se tivesse levado um choque. Seus braços e pernas se enrolaram nos lençóis suados, seu coração martelava contra suas costelas com uma força tão violenta que ele temeu que elas quebrassem. O ar entrou em seus pulmões em um ruído áspero e ofegante.       Por um momento eterno, ele não sabia onde estava. A escuridão do seu quarto era a mesma do beco, as sombras dos móveis se contorciam em formas ameaçadoras. Ele levou uma mão trêmula ao próprio peito, esperando sentir o rasgo úmido de um ferimento, mas encontrou apenas o algodão suado de sua camiseta. — Um pesadelo… — ele gemeu para o teto, sua voz um farrapo. — Apenas um pesadelo! Estou em casa, estou seguro.       Mas as palavras soavam ocas. O terror do sonho estava grudado nele como uma segunda pele, uma geada interna que nenhum cobertor poderia aquecer. A imagem daquela silhueta baixa, daqueles olhos vazios, estava queimada atrás de suas pálpebras. "Você já estava morto quando me viu."       Ele se sentou na cama, com as pernas fracas, e enterrou o rosto nas mãos. A cidade lá fora, vista pela janela de seu pequeno apartamento, estava estranhamente silenciosa. Uma quietude pesada, opressiva, que só se instalava quando o medo coletivo era grande demais. Todos trancados em casa, com medo do que andava na escuridão.       A polícia não fazia ideia, as notícias só traziam mais mortes, mais detalhes horríveis, mais avisos para não sair à noite, e Hoseok tinha seguido os avisos à risca. Ele trabalhava em casa, pedia tudo por delivery, tornando-se um prisioneiro voluntário. E ainda assim, o terror o encontrava em seus próprios sonhos.       Ele precisava sair dali. Precisava de uma distração, de um respiro, de um pouco de luz e cor para lavar o sabor da morte de sua boca.       Seus olhos, ainda arregalados pelo pânico, pousaram no flyer colorido que estava pregado em seu quadro de avisos, próximo ao computador. Um flyer que um entregador distraído havia deixado cair semanas atrás e que ele, num momento de curiosidade mórbida, guardava. Era rosa e branco, com letras em japonês desenhadas à mão.

"メイド いん へーベン" - Maid In Heaven"

      E abaixo, em letras menores: "Onde cada cliente é tratado como um Mestre especial!" "Um Maid Cafe... O antídoto perfeito.” ele pensou com um desespero quase histérico, para um pesadelo que cheirava a sangue e amêndoas amargas.       A ideia era ridícula, quase patética. Enquanto um assassino a solta desmembrava a cidade, ele, Jung Hoseok, iria se esconder em um universo paralelo de omeletes em formato de coração e moe. Mas seu coração ainda batia descompassado, e as sombras no canto do quarto ainda pareciam se mover.       Ele não aguentava mais. A solidão e o medo eram companheiros piores do que o constrangimento.       Determinado, ele se levantou da cama, suas pernas ainda trêmulas. Ele se arrastou até o chuveiro, decidido a lavar o suor do pesadelo. Ele iria para aquele café, ele precisava de uma distração, de um rosto humano e sorridente, mesmo que fosse pago para isso.       A água gelada do chuveiro não conseguiu lavar a sensação de opressão que grudava em sua pele como uma segunda camada. Agora, mesmo vestido com uma camiseta limpa e jeans, o ruivo ainda se sentia sujo, como se o suor do pesadelo tivesse penetrado em seus ossos. Cada som da rua – o latido de um cachorro, o motor distante de um carro – fazia seus músculos se contraírem em um reflexo de alerta. Ele era uma gazela em um campo cheio de sombras, sabendo que um predador estava à espreita, mas incapaz de ver seus olhos.       A caminhada até o "Maid In Heaven" foi tensa. O sol da tarde já começava a se pôr, alongando as sombras dos edifícios e pintando o céu com tons de laranja e roxo que, em qualquer outro contexto, seriam lindos. Hoje, pareciam o prenúncio de mais uma noite de terror. Ele apertou o passo, o coração batendo forte não só pelo medo, mas por uma ponta de vergonha absurda. O que ele estava fazendo?       O café era exatamente como no flyer: uma fachada rosa-pastel espremida entre uma lavanderia sombria e um beco. Uma placa em forma de laço brilhava suavemente. Parecia um cenário de anime que tinha caído na realidade errada. Ele hesitou por um longo minuto na calçada, sentindo-se completamente deslocado.       Ao empurrar a porta, um sino tilintou, suave e melodioso. O ar que o recebeu era quente, pesado e doce, cheirando a açúcar, creme de leite e uma fragrância artificial de morango. Era um cheiro que quase dava para ver, e ele lutou contra um espasmo de náusea. O contraste com o pesadelo gelado de horas atrás era tão brusco que beirava o violento.       O interior era um assalto aos sentidos. Tudo era rosa, branco e bege. Luzes de LED em forma de estrelas piscavam nas paredes, e mesinhas redondas com toalhas de renda eram ocupadas por alguns clientes – a maioria homens com expressões que iam do descontraído ao profundamente constrangido. — Irasshaimase, Goshujin-sama! — (Bem-vindo, Mestre!) uma voz aguda e coreografada ecoou pelo local.       Várias garotas com vestidos de maid elaborados, meias até o joelho e orelhas de gato postiças se curvaram em uníssono, seus sorrisos largos e perfeitos como máscaras de porcelana. Hoseok sentiu um calor subir pelo seu pescoço, ele era um intruso num mundo de fantasia que não era sua. — Uma mesa para um? — uma das maids perguntou, aproximando-se com passos saltitantes. Seu sorriso não alcançava os olhos. — S-sim. — ele gaguejou, sentindo-se um idiota.       Ele foi guiado para uma mesa no canto, longe da janela. Enquanto se sentava, seus olhos percorreram o ambiente, tentando se agarrar a qualquer coisa que parecesse real, sólida. Foi então que ele o viu.       Era uma figura que destoava do coro de fofura. Mais afastado, próximo à entrada da cozinha, um garoto de estatura baixa arrumava uma bandeja com xícaras. Ele usava o mesmo uniforme preto e branco das outras maids, mas o vestido parecia mais curto nele, revelando a curva magra de suas coxas envoltas em meias-soquete. Seu cabelo era escuro e longo, e um par de orelhas de gato pretas, ligeiramente desalinhadas, adornavam sua cabeça.       Mas não era o vestido que prendia a atenção de Jung, era a postura. Enquanto todas as outras irradiavam uma energia vibrante e artificial, ele emanava uma quietude profunda, quase letárgica. Seus movimentos eram econômicos, precisos, sem um único gesto desperdiçado. E seu rosto... Seu rosto era de uma beleza afiada e andrógina, com lábios finos e um queixo delicado. Seus olhos, puxados e realmente felinos, pareciam observar o ambiente com um tédio profundo e um toque de desdém. "Parece um gato", o ruivo pensou, hipnotizado. "Um gato mal-humorado vestido de boneca."       De repente, como se sentisse o peso do olhar de Hoseok, o garoto-gato levantou a cabeça devagar. Seus olhos, da cor do carvão, encontraram os de Hoseok através do café iluminado e açucarado.       Não houve sorriso, nenhum piscar de olhos fofo, apenas um olhar fixo, intenso e impessoal, que parecia perfurar a fachada de desespero de Hoseok e ver diretamente o pesadelo que ele carregava. Era um olhar que não pertencia àquele lugar, era um olhar frio, analítico, vazio de calor humano.       Era um olhar que ele já tinha visto.       A memória do sonho irrompeu em sua mente com a força de um soco: a silhueta no beco, os olhos brilhando na escuridão com a mesma inteligência felina e desconectada. O coração de Hoseok deu um salto agonizante em seu peito, não mais de medo, mas de uma fascinação súbita e doentia. O ar pareceu sair de seus pulmões.       O garoto-gato manteve o contato visual por um segundo a mais, um desafio silencioso, antes de voltar sua atenção para a bandeja, como se Hoseok fosse insignificante. Mas o estrago estava feito.       A garota maid que o atendia estava falando, explicando o menu com vozinha melódica, mas Hoseok não ouvia uma palavra. Seu mundo tinha reduzido àquele ser contraditório no canto. O terror que o levara até aquele lugar foi subitamente substituído por uma curiosidade abrasadora e perigosa.       O medo ainda estava lá, sim, misturado agora com uma atração inexplicável e proibida. Ele, Jung Hoseok, estava completamente fascinado por aquele homem de aparência felina que usava um vestidinho e carregava nos ombros uma aura de perigo que fazia o serial killer parecer uma ameaça distante e sem rosto.       Enquanto a maid anotava seu pedido de um café e uma torta que ele não queria, Hoseok não conseguia desviar os olhos. Ele não sabia, mas naquele momento, ele havia parado de ser um mestre visitante.       O coração de Hoseok ainda martelava contra suas costelas, mas o ritmo havia mudado. Não era mais o tamborilar cego do pânico, mas uma batida acelerada e curiosamente ansiosa, um som que sussurrava "perigo" e "excitação" na mesma cadência. Ele tentou se concentrar no menu de cores pastel que a maid sorridente havia deixado em sua mesa, mas as palavras dançavam em sua visão periférica. Toda a sua atenção estava voltada para a figura quieta perto da cozinha.       Ele esperava que o garoto-gato – cujo nome, que descobriu ao sussurrar para outra maid que passava, era Min Yoongi – o ignorasse completamente. Que aquele olhar intenso tivesse sido um acidente, um momento de distração. Ele estava preparado para uma experiência de Maid Café comum, mesmo com aquele elemento estranho no ambiente.       Então, Yoongi se moveu. Ele pegou uma bandeja com uma postura despretensiosa e começou a caminhar em direção à mesa de Hoseok. Seus passos eram silenciosos, quase fluidos, como se deslizasse sobre o piso encerado. Cada nervo do corpo do ruivo ficou em alerta máximo. Ele se endireitou na cadeira, os dedos contraindo involuntariamente sobre a toalha de mesa de renda.       Min parou ao lado de sua mesa, e Hoseok pôde sentir, mais do que ver, a presença calma e densa que ele emanava. De perto, ele era ainda mais desconcertante. A maquiagem leve realçava a palidez imaculada de sua pele e a linha precisa de seus olhos puxados. As orelhas de gato pretas pareciam quase naturais. — O seu café, Goshujin-sama — a voz de Yoongi não era aguda ou forçadamente doce como a das outras maids. Era baixa, um pouco rouca, e incrivelmente suave.       Ele colocou a xícara de porcelana branca na mesa com um cuidado que beirava a reverência. O movimento era gracioso e econômico, sem um tremor sequer.       Hoseok ficou paralisado. Isso não era o que ele esperava. Ele esperava frieza, indiferença, talvez até um pouco de desdém, não ISSO. — E a sua torta de maçã — Yoongi continuou, posicionando o pequeno prato com a fatia perfeita de torta ao lado da xícara. Seus dedos longos e pálidos se ajustaram levemente no posicionamento do garfo, alinhando-o com uma precisão obsessiva. — Recomendo provar enquanto está quente, o contraste da maçã doce com a massa amanteigada é particularmente reconfortante hoje.       Ele então levantou o olhar, e seus olhos escuros encontraram os de Hoseok mais uma vez. Desta vez, porém, não havia apenas o vazio analítico de antes. Havia um brilho lá, um fragmento de algo que poderia ser... Gentileza? Era sutil, quase imperceptível, mas Hoseok, faminto por qualquer sinal de humanidade genuína naquele dia, agarrou-se a ele como um homem morrendo de sede. — Obrigado. — Hoseok conseguiu engasgar, sua voz soando áspera e estranha para seus próprios ouvidos.       Um canto dos lábios finos de Yoongi curvou-se para cima, formando um sorriso. — Que o seu tempo aqui no 'Maid In Heaven' seja tranquilo, Goshujin-sama — ele disse, e a formalidade das palavras soou genuína em sua boca, não um roteiro decorado. Ele inclinou a cabeça levemente, um movimento quase felino, antes de se virar e retornar ao seu posto, sem pressa, deixando para trás um rastro de silêncio e confusão.       Hoseok ficou ali, paralisado, olhando para a xícara de café perfeitamente servida e para a fatia de torta que parecia saída de um comercial de TV. Sua mente estava uma bagunça.       A realidade do pensamento o atingiu com força total. Aquele ser que emanava um perigo tão palpável que ecoava nos pesadelos de Hoseok havia sido incrivelmente, profundamente educado e prestativo. A contradição era tão violenta que fez sua cabeça girar. O medo que ele sentia não diminuiu; pelo contrário, fundiu-se com uma atração avassaladora e completamente nova.       Como alguém com aqueles olhos intimidadores podia ter mãos tão cuidadosas? Como uma voz tão suave podia habitar alguém com uma postura tão letal?       Ele pegou o garfo com a mão trêmula e levou um pedaço da torta à boca. Era deliciosa, exatamente como Yoongi dissera. E aquele simples ato de seguir uma recomendação dele, de ter uma pequena promessa de gentileza cumprida, fez algo dentro de Hoseok estremecer.       Ele não estava mais apenas fascinado, ele estava perdidamente, irracionalmente e perigosamente intrigado. O mundo sombrio lá fora, o pesadelo, o serial killer... Tudo isso recuou para um segundo plano nebuloso. O único ponto de foco nítido agora era o garoto-gato, que com um único ato de cortesia inesperada, havia plantado uma semente de obsessão no solo fértil do medo e da solidão do ruivo. Ele estava ficando louco. E, pela primeira vez desde que os pesadelos começaram, ele não se importava.       Hoseok mal conseguia saborear o resto da torta. Cada garfada era mecânica, seu paladar anestesiado pela tempestade de pensamentos que rugia em sua mente. Seus olhos, traiçoeiros e com vontade própria, perseguiam Yoongi por todo o café. Ele observava o modo tranquilo como ele carregava bandejas, a paciência quase sobrenatural com a qual ouvia o pedido elaborado de um cliente particularmente entusiasmado, e a elegância discreta com a qual ele limpou uma mesa vazia.       Cada ato mundano, realizado com aquela eficiência silenciosa, aprofundava o fascínio de Hoseok. A gentileza daquele garoto não era performática como a das outras maids; era uma ferramenta, uma camada sobre algo profundo e impenetrável. E o Jung sentiu uma coragem doentia brotar dessa contradição. Ele queria arranhar aquela superfície, queria entender o que havia por trás daqueles olhos de gato.       A conta chegou, trazida por outra maid, ofeitiço estava prestes a se quebrar. Hoseok pagou rapidamente, suas mãos ainda um pouco trêmulas, mas agora por um motivo completamente diferente. Ele se levantou, com as pernas fracas, e lançou um último olhar para o gatinho, que agora arrumava uma prateleira de xícaras, suas costas voltadas para a sala.       A caminho da porta, uma impulsividade que ele não conhecia tomou conta de si. Ele parou, a poucos passos de Yoongi, seu coração batendo tão forte que ele temeu que todos pudessem ouvir. — Obrigado… Yoongi — ele disse, a voz um pouco mais firme do que ele esperava.       Yoongi parou, ele se virou tão lentamente que o movimento pareceu durar uma eternidade. Seus olhos escuros pousaram em Hoseok, e desta vez, a gentileza profissional estava lá, mas havia algo mais por baixo. Uma centelha de curiosidade, um interesse súbito e calculista que fez a nuca de Hoseok formigar. — O prazer foi todo meu, Goshujin-sama — ele respondeu, sua voz um sussurro aveludado que parecia fechar o mundo lá fora. Ele inclinou a cabeça novamente. — Volte sempre.       A frase era o epítome da banalidade, dita inúmeras vezes por dia em estabelecimentos do mundo todo. Mas na boca de Yoongi, soou como uma promessa, um convite, uma isca.       Hoseok não conseguiu responder. Ele apenas acenou com a cabeça, um aceno idiota e atordoado, antes de quase correr para fora do café, o tilintar do sino soando como um grito de alerta atrás dele.       A rua estava mais escura agora, o ar noturno frio contra sua pele aquecida. O medo do Minoru, que antes o paralisava, parecia pálido e distante, um fantasma de um sentimento que não conseguia mais competir com a realidade vívida e perturbadora que ele acabara de vivenciar.       Ele caminhou de volta para casa, mas o pesadelo não o esperava mais nos cantos escuros. Em vez disso, sua mente estava repleta da imagem de Yoongi: a curva de sua nuca quando ele se curvava, a precisão de seus movimentos, a suavidade paradoxal de sua voz e a intensidade abissal de seu olhar.       Ao trancar a porta de seu apartamento, ele se encostou nela, ofegante. O silêncio não era mais opressivo; era carregado de possibilidade, o terror que o levou até o Maid Café havia se metamorfoseado. Agora, era uma fixação aguda, uma obsessão perigosa e deliciosa por um homem que era um quebra-cabeça envolto em renda e mistério. Ele estava enfeitiçado e, ao se pegar contando as horas até poder voltar ao "Maid In Heaven", Hoseok percebeu a verdade mais aterrorizante de todas: ele não tinha medo de Yoongi, ele tinha medo de si mesmo. So desejo profundo e irracional de se aproximar daquela chama, mesmo sabendo, no fundo da alma, que ele seria queimado. O capítulo do pesadelo havia terminado, mas o capítulo da obsessão mal havia começado.
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